O BRASIL É INDEPENDENTE? Geografia e ideologia no primeiro manual escolar do liberalismo português

Sergio Claudino

Resumo


Há um grande consenso sobre a relevância dos livros escolares nas práticas escolares, acusados de prescritores das atividades desenvolvidas na sala de aula. Para além de informações, os manuais transmitem mensagens ideológicas, como sucede em Geografia, disciplina de matriz nacionalista, surgida ao serviço da afirmação e dos interesses do estado-nação oitocentista. Em 1826, é publicado o primeiro livro escolar português de Geografia do período liberal, da autoria do diplomata Casado Giraldes. Portugal ainda alimenta a esperança de que subsista a união política entre Portugal e o Brasil, na figura do Imperador D. Pedro I, do Brasil, e herdeiro da Coroa portuguesa. Sem considerar o Brasil uma possessão de Portugal, o autor escolar não reconhece a sua independência, numa evidente ambiguidade de discurso. Sobre o Brasil, tece as mais elogiosas observações, discurso que iremos encontrar em manuais que se foram publicando ao logo de muitos decénios. Os livros escolares de Geografia socializam interesses institucionais e políticos, como sucede no manual de 1826, em inverosímil objetividade científica, mas também as próprias representações coletivas dominantes que se vão construindo e consolidando.

Palavras-chave

Ensino de Geografia, Manual escolar, Independência, Brasil, Portugal.

 

EL BRASIL ES INDEPENDIENTE? Geografía e ideología en el primero libro de texto del liberalismo portugués

Resumen

Existe un gran cosenso sobre la relevancia de los libros de texto en las prácticas escolares, acusados de prescriptores de las actividades desarrolladas en el aula. Además de la información, los manuales transmiten mensajes ideológicos, como sucede en Geografía, disciplina de matiz nacionalista surgida al servicio de la afirmación y de los intereses del estado-nación ochocentista. En 1826 se publicó el primer libro escolar portugués de Geografía del periodo liberal escrito por el diplomático Casado Giraldes. Portugal aún mantiene la esperanza de que subsista una unión política entre Portugal y Brasil en la figura del Emperador D. Pedro I de Brasil, heredero de la Corona portuguesa. Sin considerar a Brasil como una posesión de Portugal, el autor del libro de texto no reconoce su independencia, en una evidente ambigüedad del discurso. Sobre Brasil, teje las más elogiosas observaciones, discurso que se encontrará en los libros de texto que se van publicando a lo largo de muchos decenios. Los libros escolares de Geografía socializan intereses institucionales y políticos, como sucede en el manual de 1826, no solo inverosímiles en la objetividad científica, si no también en las propias representaciones colectivas dominantes que se van construyendo y consolidando.

Palabras clave

Enseñanza de la Geografía, Manual escolar, Independencia, Brasil, Portugal.

 

ISSN: 2236-3904

REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO EM GEOGRAFIA - RBEG

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Palavras-chave


Ensino de Geografia, Manual escolar, Independência, Brasil, Portugal.

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